quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Justiça absolve acusado de matar três mulheres em Ilhéus por falta de provas

Juiz considerou inválido o reconhecimento fotográfico e avaliou que a confissão atribuída ao réu não sustenta uma condenação


A 1ª Vara Criminal de Ilhéus absolveu Thierry Lima da Silva da acusação de assassinar Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41 anos, a filha dela, Mariana Bastos da Silva, 20, e Alexsandra Oliveira Suzart, 45, na Praia dos Milionários, em agosto de 2025. Na sentença assinada em 8 de outubro de 2026, a juíza Emanuele Vita considerou nulo o reconhecimento fotográfico feito por uma testemunha e apontou a fragilidade da confissão do réu na delegacia, que não encontrou suporte em nenhuma prova material ou laudo pericial. As vítimas desapareceram durante uma caminhada e foram encontradas mortas a facadas em uma área de mata.

A decisão judicial destacou que o reconhecimento fotográfico realizado pela polícia violou as regras do Código de Processo Penal e as resoluções do Conselho Nacional de Justiça. A testemunha já havia visto fotos de Thierry na imprensa e, na delegacia, recebeu apenas imagens do suspeito, sem a comparação com outras pessoas, o que tornou o procedimento inválido por indução. Além disso, a juíza pontuou que a confissão feita na fase de inquérito — e negada pelo réu em juízo — ocorreu em parte de forma informal e sem gravação, contrariando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que veda condenações baseadas unicamente em elementos informativos policiais.
A investigação do triplo homicídio enfrentou sérios obstáculos devido à ausência absoluta de provas materiais que vinculassem o acusado à cena do crime. Exames realizados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) não identificaram o material genético (DNA) de Thierry nos corpos das vítimas nem nas facas apreendidas e examinadas. A Justiça ressaltou ainda a falta de imagens de câmeras de segurança, de testemunhas presenciais no momento dos assassinatos ou de qualquer objeto roubado das mulheres em posse do réu, o que esvaziou a tese de latrocínio sustentada pelo Ministério Público.
Apesar da absolvição e da mudança no andamento deste processo, Thierry Lima da Silva continuará detido no Conjunto Penal de Itabuna. Ele permanece sob custódia devido a um mandado de prisão preventiva expedido por outro crime: o homicídio de Lucas dos Santos Nascimento, que foi espancado em agosto de 2025 e faleceu após passar semanas internado no Hospital Regional Costa do Cacau. Thierry também confessou a autoria deste segundo caso durante os interrogatórios da Polícia Civil.

Nenhum comentário: