quinta-feira, 4 de junho de 2026

Moradores de Ilhéus denunciam risco no uso de novas canetas de insulina distribuídas pela Secretaria Municipal de Saúde



A reclamação foi levada à redação da Rádio Bahiana AM, no centro da cidade, na manhã da última quarta-feira (3), por um munícipe preocupado com as dificuldades enfrentadas por pacientes diabéticos após mudanças na forma de fornecimento do medicamento.

Segundo o relato, anteriormente a Secretaria distribuía a insulina em canetas com cores distintas, facilitando a identificação entre os tipos Regular e NPH. Com a nova medida adotada pela prefeitura, os pacientes passaram a receber ampolas que devem ser acopladas a canetas reutilizáveis, todas na cor preta, sem diferenciação visual clara entre os tipos de insulina.

A principal preocupação apontada é o risco de erro na aplicação, já que a única distinção entre as insulinas está em pequenos adesivos, pouco visíveis para muitos usuários. A insulina Regular, considerada mais sensível e com maior potencial de causar reações adversas graves quando utilizada de forma incorreta, possui apenas um selo amarelo para identificação. Segundo o denunciante, já houve casos de idosos que aplicaram o medicamento errado devido à semelhança entre as canetas.

Diante da situação, os radialistas Rildo Mota e Adilson Neves, no Programa Falando Direito, pediram providências da Secretaria Municipal de Saúde e alerta a população sobre os riscos. Eles destacaram que a padronização das canetas pode gerar confusão, especialmente entre pessoas com menor grau de instrução, aumentando o perigo de complicações graves e até fatais decorrentes do uso inadequado da insulina.

Enilda compara situação da Atlântico às lotações e aponta insegurança jurídica no transporte de Ilhéus


A vereadora Enilda Mendonça (PT) voltou a cobrar esclarecimentos sobre a situação do transporte coletivo de Ilhéus durante o pequeno expediente da sessão desta quarta-feira (3), na Câmara Municipal. Em seu pronunciamento, a parlamentar chamou atenção para o fato de a empresa Atlântico Transportes continuar operando mesmo após o encerramento do contrato emergencial firmado com a Prefeitura.

Segundo Enilda, uma consulta realizada por ela em documentos e informações públicas confirmou que o contrato emergencial venceu no último dia 28. No entanto, a vereadora afirmou não ter encontrado registros de renovação contratual nem de um novo processo licitatório que autorize a continuidade da prestação do serviço.

Para a parlamentar, o cenário coloca o município em uma situação de “insegurança jurídica”, já que o transporte coletivo segue funcionando sem que haja, até o momento, informações públicas sobre o instrumento legal que respalda a operação da empresa.

Durante a fala, Enilda também comparou a situação da Atlântico às chamadas lotações, modalidade de transporte realizada por particulares e frequentemente considerada irregular por não possuir regulamentação específica. A vereadora lembrou que, ao longo dos anos, as lotações já foram alvo de operações de fiscalização e ações envolvendo forças policiais justamente por atuarem fora das regras estabelecidas para o sistema de transporte. Nesse sentido, questionou qual seria a diferença entre a situação enfrentada pelos motoristas das lotações e a continuidade da operação de uma empresa sem um contrato vigente ou autorização formal tornada pública.

Apesar das críticas, Enilda ressaltou que sua preocupação não é interromper o serviço ou deixar a população sem transporte público. Segundo a parlamentar, a cidade precisa garantir a continuidade dos ônibus circulando, mas dentro da legalidade e com a devida transparência por parte do poder público.

Ao final, a vereadora defendeu que a Prefeitura apresente esclarecimentos sobre a situação contratual da empresa e informe quais medidas estão sendo adotadas para assegurar segurança jurídica, regularidade e qualidade na prestação do serviço à população ilheense.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Trabalhadores do setor de infraestrutura da Bahia conquistam vitória histórica e encerram greve no estado


A greve dos trabalhadores das obras de infraestrutura da Bahia foi encerrada nesta quarta-feira (3), após assembleia realizada no Campo da Pólvora, em Salvador. O sindicato patronal fechou o acordo por volta das 11h30, aceitando a última proposta deixada pelo Sintepav. Ao final da deliberação, os trabalhadores realizaram uma marcha em direção à Praça da Piedade, como gesto de união e força da categoria.

As obras do setor voltam à normalidade a partir desta quinta-feira, 4 de junho. Os principais pontos da convenção coletiva vitoriosa incluem reajuste linear de 5% para todos os trabalhadores; cesta básica no valor de R$ 560; manutenção do contrato de experiência de 30 dias; aviso prévio indenizado; reajuste do valor do ticket alimentação para o café da manhã e almoço; direito do sindicato de participar das eleições da CIPA; e a tabela salarial, que será discutida em até 60 dias, com cláusula assegurada na nova convenção coletiva. Todas as conquistas são retroativas ao mês de março com pagamento no salário do mês de junho. 



“O Sintepav compreende que foi um resultado possível a partir da maturidade das partes. Eu posso dizer seguramente que um dos melhores acordos de convenção coletiva está feito, um dos melhores do Brasil no setor da construção pesada”, explicou Irailson Gazo, presidente do Sintepav. 

Segundo o dirigente, ainda que instaurado um movimento grevista, a mesa de negociação é único ponto de convergência entre os interesses das partes. Para Bebeto Galvão, diretor do Sintepav, a paralisação foi legítima, necessária e cumpriu seu papel. 

“O movimento grevista não é um fim em si mesmo. Ele existe para forçar o diálogo quando a via da negociação se esgota. Neste caso, reequilibrou a relação de forças e trouxe o patronato de volta à mesa com disposição real para acordar. O resultado é um dos acordos mais completos do setor no Brasil”, ressaltou. 

Presente na assembleia, Cézar Silva, trabalhador da construção civil, defendeu a importância da mobilização. Ele também avaliou positivamente o acordo construído entre os sindicatos laboral e patronal, demonstrando otimismo com os rumos das negociações. “Agradeço muito ao Sintepav por estar junto nessa campanha, porque sem eles não somos nada. Que o patrão acerte conosco, atendendo às necessidades do nosso setor de trabalho.” 

Os três dias de greve serão compensados apenas com o feriado de Corpus Christi.

Associação de delegados de São Paulo reage a críticas de Flávio Bolsonaro


A ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por terem acusado de motivação política a operação da Polícia Civil que mirou a produtora Karina Ferreira da Gama e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia

Na segunda-feira (1º), foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da produtora da Go UP Entertainment, responsável pelo "Dark Horse", longa sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O escritório do ICB (Instituto Conhecer Brasil) também foi alvo. Karina é proprietária da empresa e presidente do instituto.

A investigação foca um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão de Ricardo Nunes. O acordo previa a instalação de wi-fi gratuito em bairros carentes da capital paulista

O presidente da associação, delegado André Santos Pereira, disse que a investigação segue o "rito processual e penal estabelecido na lei" e que "ninguém está acima da lei".

O delegado também afirmou que o TCM (Tribunal de Contas do Município) apontou 20 irregularidades no edital e, mesmo sugerindo a suspensão do certame, a prefeitura optou por mantê-lo

Flávio Bolsonaro apontou motivações eleitorais na operação. "Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições", disse

Nunes, por sua vez, afirmou que há "perseguição política" e "desrespeito à democracia". A sede da secretaria também foi alvo da operação.

A Go UP e o ICB foram dragados para o centro do escândalo do Banco Master após as revelações de que o senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o "Dark Horse". Como revelou o The Intercept Brasil, o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões.

A quantia saiu do Brasil por meio da Entre Investimentos e chegou ao fundo Havengate Development Fund, nos EUA, que é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Responsável pela produção do longa, a Go UP afirmou não ter recebido dinheiro de Vorcaro

Karina Gama, proprietária da produtora, preside também o ICB. Além da investigação sobre o contrato com a prefeitura, a organização também recebeu R$ 700 mil em emendas parlamentares. A carreira da produtora foi alavancada após ficar mais próxima do deputado federal e ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias (PL-RJ).

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (2) que a Polícia de São Paulo tem autonomia para fazer as suas investigações.

"A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere", disse Tarcísio, em Rio Claro, no interior de São Paulo.

"A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda", afirmou. "Portanto, tivemos a operação. E sempre vai ser assim: a polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado."

terça-feira, 2 de junho de 2026

Assembleia nesta quarta decidirá rumo da greve dos trabalhadores das obras de infraestrutura em toda a Bahia

Mais de 25 mil trabalhadores e trabalhadoras paralisaram obras que somam R$ 40 bilhões em investimentos


Com nova assembleia marcada para esta quarta-feira (3), a greve dos trabalhadores da construção pesada da Bahia segue por tempo indeterminado, paralisando grandes obras de infraestrutura em todo o estado. A decisão foi tomada na última segunda-feira (1º) de forma unânime, após impasse nas negociações da Campanha Salarial 2026.

O movimento atinge empreendimentos estratégicos como o VLT de Salvador, a duplicação da BA-001 em Ilhéus, a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Itapebi, a duplicação da BR-116 e parques de energias renováveis.

“A categoria demonstrou durante todo o processo disposição para o diálogo e para a construção de um acordo equilibrado. No entanto, o que encontramos foi uma proposta insuficiente e a tentativa de retirar

direitos conquistados ao longo de décadas de luta. Os trabalhadores não aceitarão retrocessos. A greve é uma resposta legítima à falta de respeito e valorização da nossa

categoria”, afirmou Irailson Gazo, presidente do Sintepav-Ba.

Os trabalhadores reivindicam reajuste de 7%, cesta básica de R$ 650 e manutenção integral de todas as cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho. O sindicato patronal, entretanto, ofereceu apenas reposição da inflação (3,36%) parcelada em duas vezes e congelamento da cesta e do vale-alimentação, além da retirada de direitos como aviso prévio indenizado, contrato de experiência de 30 dias e acompanhamento sindical nas eleições da CIPA.


Dados da Secretaria da Fazenda da Bahia indicam que o estado é líder nacional em investimentos em infraestrutura, com R$ 4,12 bilhões aplicados entre janeiro e agosto de 2025, superando São Paulo.


O Sintepav reitera que enquanto não houver avanços nas negociações, a mobilização continuará em todo o estado.