Um dos principais nomes do combate à covid-19 nos Estados Unidos, o infectologista Anthony Fauci foi convocado no Senado para falar sobre a origem do coronavírus e sobre os financiamentos de pesquisas nessas áreas. Hoje com 85 anos e afastado da vida pública, o médico tem sido alvo frequente do presidente Donald Trump desde a pandemia, com acusações sem evidências científicas. Agora Fauci entrou novamente na mira de aliados e apoiadores do republicano, novamente sem provas.
Na semana passada, Fauci compareceu ao Senado, após convocação do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais da Casa, e foi bombardeado durante três horas com perguntas e acusações. Ele invocou seu direito à Quinta Emenda da Constituição americana e permaneceu em silêncio.
Nos Estados Unidos, invocar a Quinta Emenda não significa admitir culpa. O objetivo é proteger os indivíduos contra eventuais coerções, erros e transferência injusta do ônus da prova de atos ilícitos.
Fauci disse que o senador republicano Rand Paul, que presidiu a audiência, tinha uma “obsessão óbvia” em processá-lo e que isso o levou a se recusar a responder às perguntas.
“A conclusão a que posso chegar é que o único motivo pelo qual ele está me convocando perante esta comissão é para me fazer dizer algo - qualquer coisa - que possa justificar suas repetidas promessas públicas de que eu acabe, em suas palavras, ‘atrás das grades’”, disse Fauci.
Durante vários anos, Fauci manteve um diário entre 2019 e 2022, e agora as suas anotações tornaram-se públicas (aparentemente, ele as escreveu em um computador de trabalho associado à sua conta governamental, que foi recuperada pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e sua equipe).
Rand Paul afirma que os documentos mostram diferenças entre o que Fauci registrava em seus relatos privados e o que dizia publicamente na pandemia. No entanto, o senador não apresentou conclusão oficial de que Fauci tenha cometido perjúrio - ato intencional de prestar um juramento falso, mentir ou omitir a verdade perante uma autoridade.
E, ao longo da audiência, citando milhares de páginas de documentos governamentais, senadores republicanos responsabilizaram Fauci, o principal conselheiro do governo para a covid-19 durante a pandemia, pelo fechamento de escolas e pelos lockdowns.
Políticos trumpistas também acusaram o médico de financiar pesquisas que levaram à criação do coronavírus causador da COVID-19 e de mentir sobre isso sob juramento ao Congresso. No Brasil, políticos de direita repercutiram o episódio e insinuaram que teriam sido descobertos segredos sobre a origem da pandemia.
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