terça-feira, 30 de junho de 2026

Bahia se aproxima de PIB de meio trilhão com obras que já produzem riqueza antes de serem concluídas


A Bahia está em obras. Não em uma frente isolada, mas em várias ao mesmo tempo. Há escolas sendo erguidas, hospitais em ampliação, estradas abertas, o metrô avançando para o Campo Grande, o VLT redesenhando o transporte do Subúrbio, a Ponte Salvador-Itaparica mobilizando uma das maiores intervenções de infraestrutura do estado, a BYD transformando a antiga área da Ford em Camaçari e projetos federais em ferrovias, portos, saneamento, energia e habitação. Essa simultaneidade ajuda a explicar por que a economia baiana se aproxima da marca de meio trilhão de reais. Estimativa do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, do Banco do Nordeste, aponta que o PIB da Bahia pode ter alcançado R$ 495 bilhões em 2025, com alta nominal de 7,96% sobre 2024. O dado ainda não é oficial e será consolidado pelo IBGE apenas em 2027.

O número é uma fotografia. A história está nos canteiros. Uma escola começa a produzir PIB antes de ensinar: compra cimento, aço, vidro, cabos, computadores e equipamentos, contrata engenheiros, operários, transportadoras e fornecedores. Um hospital ampliado mobiliza tecnologia, mobiliário, medicamentos e serviços antes de receber pacientes. O mesmo acontece com rodovias, trilhos, linhas de transmissão, parques eólicos, fábricas e grandes obras de mobilidade. A riqueza começa a circular muito antes da entrega.

É justamente aí que os investimentos deixam de ser uma coleção de obras e passam a formar uma cadeia econômica. A Secretaria da Educação contabiliza R$ 9,2 bilhões entre 2023 e 2025, com 244 novas escolas, 146 ampliações e 155 modernizações. A Seinfra reúne uma carteira de R$ 7,2 bilhões em obras rodoviárias, mais de 8 mil quilômetros de intervenções e 1,8 mil quilômetros de novas rodovias asfaltadas no período. Na saúde, a Sesab anunciou R$ 168,9 milhões em investimentos estaduais em Salvador, enquanto o Novo PAC incorporou novas unidades básicas, maternidades, policlínicas, Caps, centros de parto e serviços de reabilitação em diferentes regiões da Bahia.

Os efeitos desses projetos se cruzam. A estrada reduz custos para a produção agrícola e fortalece o turismo. Hospitais e escolas mantêm contratos permanentes de alimentação, limpeza, vigilância e tecnologia. O metrô que avança para o Campo Grande e o VLT, com 43,71 quilômetros e 50 paradas, movimentam a construção civil antes de reduzir o tempo de deslocamento da população. A Ponte Salvador-Itaparica, projetada para beneficiar 250 municípios e gerar cerca de 7 mil empregos durante a execução, já demanda engenharia, concreto, aço, embarcações, alimentação, hospedagem e serviços especializados.

Esse movimento alcança diferentes regiões e setores ao mesmo tempo. O Oeste amplia a produção de soja, milho, algodão e café; Camaçari volta ao centro da estratégia industrial com o investimento de cerca de R$ 5,5 bilhões da BYD na antiga área da Ford; Salvador concentra grandes projetos de mobilidade, saúde e educação; e o semiárido consolida sua liderança nacional na geração eólica enquanto amplia a produção de energia solar. A expansão da infraestrutura elétrica acompanha esse ciclo: a Neoenergia Coelba anunciou R$ 25 bilhões até 2030 para ampliar e modernizar a rede no estado.

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