quinta-feira, 25 de junho de 2026

Coluna: suposto rompimento na família Bolsonaro levanta suspeitas de estratégia política envolvendo Michelle

A direita pode ter decidido rifar Flávio e atropelar o clã Bolsonaro 


Por Rildo Mota 

O recente e barulhento episódio envolvendo um suposto rompimento entre membros da família Bolsonaro, especialmente entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, tem gerado forte repercussão nas redes sociais e na mídia brasileira. O que à primeira vista parece uma crise interna, marcada por atritos familiares e rejeições antigas, pode, na verdade, esconder uma movimentação estratégica com objetivos políticos mais amplos. Extremamente bem elaborada fato de raro no bolsonarismo geral bastante raso em suas estratégias.

A avaliação mais pragmática é  que Michelle Bolsonaro teria utilizado o episódio para romper a bolha tradicional do bolsonarismo e alcançar públicos fora de sua base habitual. Ao protagonizar um conflito público e ganhar visibilidade, ela conseguiu ampliar sua presença nas redes sociais, atingindo inclusive opositores e setores mais distantes do campo conservador. O movimento ocorre em um momento em que sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal vinha sendo considerada discreta e com pouca projeção.

Além de impulsionar sua própria imagem, a situação também levanta hipóteses sobre uma possível reconfiguração dentro do grupo político. Diante de sinais de desgaste e limitações eleitorais de Flávio Bolsonaro, cresce a leitura de que Michelle poderia estar sendo posicionada como alternativa mais viável para disputas majoritárias. A construção de uma narrativa em que aparece como alvo de críticas e suposta rejeição e humilhação interna poderia, inclusive, gerar empatia e ampliar seu apelo junto a diferentes segmentos do eleitorado.

Os bolsonaristas perderam a excelente oportunidade de uma disputa mais igualitária com uma candidatura do Governador Tarcísio de Freitas e agora Flávio vem mostrando que apesar do piso percentual alto nas pesquisas, o teto está baixo e não tem se mexido.

Nesse contexto, aponto que o episódio pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento e até mesmo a troca de candidatos. Ao mobilizar emoções, gerar engajamento e atravessar diferentes bolhas ideológicas, a movimentação teria conseguido colocar Michelle no centro do debate nacional, transformando um conflito familiar em ativo político. Caso essa leitura se confirme, o episódio evidencia uma tentativa de uma guinada de protagonismo dentro do campo da Extrema direita e da direita brasileira.

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