O consumo de alimentos nos lares brasileiros apresentou crescimento expressivo nas semanas seguintes às restrições impostas às apostas on-line, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).
A entidade relaciona o avanço à redução das movimentações financeiras associadas às "bets" e avalia que mais recursos estão sendo direcionados às necessidades básicas das famílias. Os dados, apresentados pelo presidente da ABRAS, João Galassi, durante a feira Supervendas em Aracaju, apontam crescimento do varejo alimentar em todas as regiões analisadas, com altas nacionais de 6,5% e 6,3% nas duas primeiras semanas de outubro de 2026, na comparação anual. De acordo com a ABRAS, o avanço foi observado de maneira disseminada em diferentes formatos de comércio, abrangendo desde os grandes hipermercados até os pequenos estabelecimentos de bairro. O levantamento identificou uma maior procura por produtos essenciais e de primeira necessidade, como arroz, óleo, macarrão e café. A associação ressalta ainda que a pesquisa considera o volume físico de mercadorias efetivamente compradas pelos consumidores, e não apenas o faturamento em reais, embora a metodologia detalhada do indicador semanal não tenha sido disponibilizada publicamente.
Geograficamente, a expansão do consumo doméstico ocorreu em todo o país, apresentando intensidades variadas entre as regiões brasileiras. Na primeira semana analisada, a região Sul e a área que compreende os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro lideraram o crescimento, ambas com uma alta expressiva de 10,6%, enquanto o Nordeste acompanhou a média nacional com 6,5%. Já na semana seguinte, o Sul manteve a liderança com 9% de aumento, seguido pela região de Minas e do interior fluminense, que registrou 7,1%, e pelo Nordeste, com 4,5%.
Para fundamentar a interpretação da entidade, Galassi citou dados atribuídos ao Banco Central que mostram um recuo expressivo nas movimentações via Pix. Segundo a ABRAS, o número de transações eletrônicas caiu aproximadamente 10% imediatamente após as restrições às apostas, estabilizando-se posteriormente em uma redução em torno de 7%. Para a presidência da associação, a estrita coincidência entre a diminuição dessas transferências e o aumento simultâneo nas compras nos supermercados reforça a hipótese de que o dinheiro antes usado em jogos está sendo revertido para o sustento do lar.