quarta-feira, 29 de abril de 2026

Davi Alcolumbre articula nos bastidores de derrota indicação de Jorge Messias ao Supremo

Davi Alcolumbre Presidente do Senado, queria indicar o futuro ministro do supremo e sabotou a indicação do Presidente Lula



O Plenário do Senado rejeitou, nesta quarta-feira, 29, o nome de Jorge Messias para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 42 votos contrários e 34 a favor da nomeação. Mais cedo, Messias teve seu nome aprovado em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em uma reunião que durou cerca de oito horas.

A derrota, para alguns humilhante, do atual advogado-geral da União (AGU) não representa apenas um revés pessoal para o jurista ou uma perda política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; ela fratura uma tradição de conformidade que perdurava desde 1894. 

A rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, é a vitória para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e é também a derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao longo do dia e das últimas semanas, Alcolumbre articulou fortemente a derrota de Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deixada após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso em outubro do ano passado.  Alcolumbre queria que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse a indicação do presidente, não o AGU, e essa escolha por Messias nunca foi perdoada pelo presidente do Senado.

Para Alcolumbre, a derrota na indicação de Messias poderia levar Lula a indicar Pacheco, mas, segundo ministros do governo, essa derrota não é garantia de que Lula (PT) fará a vontade de Alcolumbre, pelo contrário, agora que Lula não vai mais indicar o preferido dele, mesmo lula tendo grande admiração por Pacheco. 

O símbolo dessa história é que, se Jorge Messias passasse com votos do campo da direita e do campo conservador, portanto dos evangélicos, seria uma derrota para Alcolumbre e seus aliados bolsonaristas.

Davi Alcolumbre ao conseguir a rejeição de Messias, oferece uma derrota "gigantesca" e abre o que pode ser a maior crise política do governo Lula neste seu terceiro mandato. Bastidores revelam que o caso Master contribuiu para a derrota de Jorge Messias, já que o comportamento duro do governo contra muitos congressistas aliados de Alcolumbre envolvidos no esquema fizeram eles se vingarem de lula pela dureza das investigações.

Jorge Messias perdeu para Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas quem é derrotado é o presidente da República.


Análise: Cidades com hegemonia lulista na Bahia tendem a manter votação de até 80% dos votos novamente em 2026


O cientista politico Cláudio André de Souza em sua coluna do no Jornal Atarde fez uma análise sobre a votação de Lula e ACM Neto no interior da Bahia, segundo ele nos três maiores territórios da Bahia  existe uma lacuna entre o discurso de Neto e o que impõe o cenário. Juntos, os territórios Metropolitano de Salvador, o Portal do Sertão e o Sudoeste Baiano concentram 35,96% do eleitorado baiano. No Território Metropolitano de Salvador, Neto venceu em apenas 5 dos 13 municípios.  

O peso de Lula nestas cidades é revelador: em São Sebastião do Passé, Lula chegou a 86,5%; em São Francisco do Conde, a 84,4%; em Candeias, a 82,3%. Mesmo nos municípios onde Neto venceu Jerônimo, Lula superou os 67%, chegando a 70,7% na capital baiana. O voto metropolitano em 2022 foi mais ideológico do que transacional, com pequena dissociação entre as duas disputas, ou seja, ter Lula nas urnas em 2026 pode ser entendido como um sinal de onde votos vão na Bahia.

No Território Portal do Sertão, Jerônimo venceu em 16 dos 17 municípios, e Lula superou os 73% em absolutamente todos eles. Em Antônio Cardoso, Lula chegou a 89,7%; em Teodoro Sampaio, a 89,5%. Nos demais 16 municípios, Neto não chegou a 50% em nenhum caso, com médias entre 36% e 38%, enquanto Lula oscilava entre 79% e 89%, menos em Feira de Santana onde Lula obteve 64,03% e ACM 58,95%. 

No Território Sudoeste Baiano, ACM Neto venceu apenas em Vitória da Conquista (59,1%), enquanto Lula superou os 87% em municípios como Caetanos (89,3%) e Bom Jesus da Serra (88,0%). Mesmo nos municípios intermediários, Lula oscilou entre 73% e 79%, revelando uma base petista consolidada que não responde de forma sensível às variações locais do desempenho da oposição.

No sul da Bahia mesmo com a vitória de Neto, nas duas principais cidades Lula também saiu vitorioso. Ilhéus deu a Neto 54,16% enquanto lula recebeu 61,15%. Em Itabuna o quadro foi parecido, lula foi votado por 52,93% dos eleitores e Neto 61,16%. Ainda assim, o sul apresentou um cenário negativo ao petismo mesmo com Lula saindo vencedor sobre sou adversário.

O cientista termina sua análise com o seguinte questionamento: Com quais evidências ACM Neto supõe que vencerá sem dialogar com o eleitor que reconhece a força representacional de Lula na Bahia?  ACM Neto seguirá com a tese de negação da força do lulismo na Bahia? 

*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB

APPI apresenta contraproposta ao governo e categoria volta a se reunir amanhã (30) para deliberar sobre campanha salarial


Em continuidade às negociações da campanha salarial 2026, representantes da APPI/APLB participaram, hoje (29), de mais uma rodada de reunião com o Executivo Municipal. O encontro ocorreu após a assembleia realizada na última segunda-feira (27), quando a categoria rejeitou por unanimidade, pela segunda vez, as propostas apresentadas pela gestão municipal.

Durante a reunião, o sindicato apresentou uma contraproposta construída a partir das deliberações da categoria. Em resposta, o Executivo apresentou novos encaminhamentos sobre pontos centrais da pauta de reivindicações.

Sobre a carreira dos trabalhadores não docentes, o Executivo afirmou que garante o pagamento do início da carreira. No entanto, não assegura o cumprimento integral da tabela salarial, propondo percentuais reduzidos para os servidores que já se encontram em níveis mais avançados da progressão funcional. O sindicato considera a proposta inaceitável, por entender que compromete ganhos reais já conquistados pelos trabalhadores ao longo da carreira.

No que diz respeito ao retroativo e ao pagamento do índice para os docentes, a gestão municipal alegou limitações financeiras para quitar os valores referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março. Como alternativa, propôs aplicar o índice de reajuste na tabela dos professores efetivos e contratados apenas a partir do mês de abril.

Em relação ao ticket alimentação, o governo municipal informou que o tema será tratado em mesa unificada de negociação com os demais sindicatos do funcionalismo: SINDICACS, SINATRAM e SINDGUARDA, além da própria APPI/APLB.

Todas as informações e contrapropostas discutidas serão levadas à apreciação da categoria durante assembleia marcada para a próxima quinta-feira (30). Na ocasião, os trabalhadores em educação irão deliberar coletivamente sobre os encaminhamentos da campanha salarial e os próximos passos da mobilização.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Prefeitura de Ilhéus nega baixo uso de vagas na Policlínica Regional

Prefeitura de Ilhéus esclarece dados sobre vagas da Policlínica e aponta equívoco em números divulgados


Secretaria de Saúde afirma que município utiliza entre 70% e 80% das vagas disponíveis e que total apresentado inclui atendimentos de outros municípios

A Prefeitura de Ilhéus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, contesta as informações que apontam baixa utilização das vagas ofertadas pela Policlínica Regional de Saúde, classificando os dados divulgados como equivocados e fora de contexto.

De acordo com a supervisora de regulação do município, Daniele Machado, os números apresentados não refletem a realidade do uso dos serviços por parte de Ilhéus. Segundo ela, relatórios extraídos do próprio sistema da Policlínica Regional indicam que, no período de fevereiro de 2025 a março de 2026, o município teve acesso a 40.153 vagas para consultas e exames especializados.

A secretária de Saúde, Sonilda Mello, também aponta o equívoco. “Diferente do que foi divulgado, Ilhéus não teve acesso a mais de 78 mil vagas. Esse número provavelmente corresponde ao total ofertado para todos os municípios atendidos pela Policlínica, e não apenas para Ilhéus”, explicou.

A média de aproveitamento mensal do município é entre 70% e 80% das vagas disponíveis, percentual considerado satisfatório dentro da realidade da regulação em saúde pública.

Além disso, relatos apontam que supostas intercorrências na própria Policlínica também influenciam na execução dos atendimentos. Entre outubro de 2025 e março de 2026, mais de 70 pacientes tiveram seus agendamentos cancelados pela ausência de profissionais, que não puderam comparecer por motivos de saúde. Nesses casos, as vagas não são automaticamente reabertas.

Outro fator relevante apontado pela Secretaria de Saúde é a ausência dos pacientes nas consultas e exames agendados. Ou seja, muitos usuários não comparecem e também não realizam o cancelamento com antecedência, o que impede que a vaga seja repassada para outra pessoa imediatamente.

Por fim, a gestão municipal reforça que tem ofertado todas as vagas disponibilizadas à população, dentro das condições apresentadas, reafirmando o compromisso com o acesso aos serviços de saúde.


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Produção intelectual de professoras escritoras ganha visibilidade e leitores na Bienal do Livro Bahia 2026


A produção literária do Coletivo Leia Bahia foi um dos grandes destaques da Bienal do Livro Bahia 2026, realizada em Salvador, garantindo visibilidade ao trabalho de professoras escritoras da Rede Estadual da Bahia. No Estande Leia Bahia, vitrine de grande sucesso no evento, as 12 autoras participantes conquistaram leitores, vendas e o importante reconhecimento à diversidade literária e à potência da produção intelectual feminina vinculada à educação pública. O espaço atraiu educadores, estudantes e demais visitantes interessados em conhecer e comprar as obras, confirmando a qualidade e relevância das produções.

Representando diferentes territórios de identidade, entre eles, o Metropolitano, Litoral Sul, Piemonte do Paraguaçu e Irecê, as professoras lançaram 21 títulos em múltiplos gêneros como a literatura para as infâncias, crônicas, poesia e pesquisa acadêmica. A programação foi ampla e diversificada, com rodas de conversa, bate-papos com escritoras e contações de histórias. O Estande Leia Bahia consolidou-se como um espaço de encontro e troca que conectou leitores de todas as idades.

Para as organizadoras desta ação do Coletivo Leia Bahia, as educadoras Elisa Oliveira, Kalypsa Brito e Luh Oliveira, o balanço do evento é muito positivo, com resultados que superaram as expectativas. "Adquirir um estande de forma colaborativa em um evento da dimensão de uma Bienal do Livro foi uma ação ousada do nosso Coletivo. Nosso objetivo, plenamente alcançado, era reafirmar o compromisso e a potência das produções literárias das professoras baianas”, afirma Kalypsa. “Mais que atingir a meta coletiva, pudemos vivenciar a felicidade de cada professora escritora tendo a oportunidade de ver suas produções valorizadas, desejadas pelo grande público”, completa a professora Elisa.


O espaço também recebeu importantes visitas institucionais, reforçando o reconhecimento ao projeto, como a ex-secretária de Educação da Bahia, professora Rowenna Brito, a presidenta das Voluntárias Sociais e primeira-dama do Estado, professora Tatiana Veloso, a secretária de Educação da Bahia, Luciana Menezes, o diretor da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, a Secretária do Conselho Estadual de Assistência Social da Bahia, Sarana Brito,  além da equipe da Secretaria de Educação formada por Joyce da Paixão, Fábio Santos e Xandão.


*Experiência transformadora*


Para escritoras participantes, a experiência foi profundamente transformadora. "Eu já participei de muitas bienais, mas nunca me senti tão feliz, como nesta Bienal da Bahia, e também nunca vendi tantos livros. Parece que houve um reconhecimento. As colegas escritoras sabem o valor e a importância de escrever e, ao mesmo tempo, trabalhar. Estou gratificada por participar com o Coletivo Leia Bahia”, comemora a escritora Nádia Virgínia.

Para Renata Lima, a participação na Bienal, através do Coletivo Leia Bahia, foi um marco na carreira. “Consegui fazer rodas de conversa, lançar minha obra ‘Meus curtos-circuitos’, atraindo leitoras, promovendo trocas importantes com outras escritoras do estande e criando conexões entre nossas escritas, nossas vidas, lutas e caminhos. Estou muito satisfeita e feliz”, revela a escritora.

O momento coletivo também foi celebrado pela autora Cátia Hughes: "Quero expressar minha alegria por fazer parte deste momento tão significativo. Este é um marco para nós que escrevemos e também laboramos em sala de aula, agregamos estas dimensões, e é com muita alegria que vi os livros sendo manuseados por crianças e adultos.”

O sucesso do Estande Leia Bahia reafirma a força da escrita produzida por educadoras e evidencia o papel fundamental da literatura como ferramenta de transformação social, valorização territorial e fortalecimento de trajetórias coletivas.