“A saúde da nossa população não pode retroceder!” Foi com esse tom de indignação que o vereador Mesaque Soares se manifestou na Câmara de Vereadores de Ilhéus ao abordar uma decisão que vem despertando preocupação: o encerramento do contrato da Prefeitura de Ilhéus com a Clínica COTI para o atendimento de pacientes do SUS.
A manifestação do vereador coloca em evidência uma questão que ultrapassa os limites de uma simples relação contratual. Estamos falando de saúde pública, de pessoas e de vidas.
A COTI possui mais de 55 anos de história e, ao longo de décadas, construiu uma relação de atendimento com a população de Ilhéus. Para muitos cidadãos, a instituição representa muito mais do que uma clínica: é o lugar onde encontraram acolhimento, tratamento, acompanhamento médico e esperança.
É justamente por isso que a discussão precisa ser feita com responsabilidade, transparência e, sobretudo, com os olhos voltados para quem está na ponta: o paciente do SUS.
Uma pergunta precisa estar no centro desse debate: quem vai garantir que o cidadão que hoje depende desse atendimento não ficará desassistido?
Encerrar um contrato pode ser uma decisão administrativa. Mas seus efeitos podem chegar diretamente à vida de milhares de pessoas. Por isso, qualquer mudança precisa vir acompanhada de planejamento, garantia de continuidade dos serviços e informações claras à sociedade.
A indignação manifestada pelo vereador Mesaque é, nesse sentido, também um chamado à reflexão.
Não se trata simplesmente de defender uma instituição. Trata-se de defender o direito de cada ilheense de receber atendimento digno, humanizado e eficiente.
Porque, quando falamos em saúde, não estamos falando apenas de números, contratos ou processos administrativos.
Estamos falando de mães, pais, idosos, crianças, trabalhadores e famílias inteiras que dependem do SUS e que não podem ser tratados como estatísticas.
Ilhéus precisa avançar. Mas avançar não significa deixar pessoas para trás.
É legítimo que o poder público reveja contratos, reorganize serviços e busque eficiência. O que não pode acontecer é que, no processo de mudança, o cidadão seja quem pague a conta com a perda ou a dificuldade de acesso ao atendimento.
A população merece saber quais serão os próximos passos, como os pacientes serão atendidos e quais garantias serão oferecidas para que não haja descontinuidade na assistência.
Saúde é direito. Atendimento público é compromisso. E a vida das pessoas precisa estar sempre em primeiro lugar.
A fala indignada de Mesaque Soares abre uma discussão que precisa sair dos corredores da Câmara e chegar às ruas, às famílias e à sociedade civil.
Porque quando uma porta de atendimento é fechada, a população tem o direito de perguntar: qual porta será aberta? Quem estará esperando por nós do outro lado?

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