Professora integrou a comissão responsável pelo projeto
A professora e médica Adélia Pinheiro relembrou a resistência enfrentada pela Universidade Estadual de Santa Cruz para implantar o primeiro curso público de Medicina no interior da Bahia. Criada em 2001, a graduação abriu uma nova etapa na história da Uesc e ampliou o acesso à formação médica fora de Salvador.
Adélia integrou a comissão responsável pelo projeto. Na época, setores ligados à capital questionavam se uma universidade do interior teria condições de formar médicos com qualidade. A posição contrariava o desejo da população de Ilhéus, Itabuna e dos demais municípios da região.
Para Adélia, a resistência refletia uma visão centralizadora que negava ao interior o direito de protagonizar a formação de profissionais de saúde. “Os grupos conservadores, principalmente da capital, negavam esse protagonismo ao interior da Bahia. Isso não tem muito tempo. Essa resistência ocorreu no final do século passado”, afirmou a pré-candidata a deputada federal pelo PT, hoje (24), em entrevista ao Revista das Cidades, programa da Rede Portal e da rádio Terra do Sol FM, de Coaraci.
O projeto avançou depois de receber a chancela do Conselho Estadual de Saúde. A decisão encerrou a controvérsia institucional e permitiu à Uesc preparar a estrutura acadêmica necessária para abrir a primeira turma.
*MODELO DE ENSINO*
Para formatar o curso, o grupo responsável pela implantação escolheu a Aprendizagem Baseada em Problemas, conhecida pela sigla PBL. O modelo aproximava o estudante de situações concretas e integrava a formação clínica às necessidades de saúde da população. Tratava-se de uma metodologia inovadora no ensino médico brasileiro daquele período.
“Implantamos o curso dentro de um modelo avançado chamado PBL. Era um método que já vinha sendo recomendado para a formação médica”, explicou Adélia. A proposta pedagógica também provocou resistência. “Começou-se a dizer que não era bem Medicina, que era sanitarista”, recordou.
Os primeiros resultados ajudaram a desmontar as críticas. “Quando a primeira turma fez as provas de residência, teve uma alta aprovação. Depois, a avaliação nacional mostrou que o curso estava entre os principais do Brasil”, relatou Adélia.
A participação na implantação do curso integra uma trajetória de 32 anos de Adélia na Uesc. Ela ingressou na universidade por concurso público, em 1990. Além da docência, ocupou funções de gestão e chegou à reitoria. Depois, foi secretária de três pastas do Governo do Estado (Ciência, Tecnologia e Inovação; Saúde; e Educação).




