quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ministro André Mendonça reclama do salário do STF e diz que se considera de classe B

 Ministro do STF classificou remuneração da Corte como de "classe b"; dados oficiais mostram que ele recebeu mais de R$ 182 mil líquidos nos primeiros sete meses do ano


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, embora tenha reconhecido que a remuneração está “muito acima” da realidade da maioria dos brasileiros.

A declaração foi feita na última sexta-feira (21), durante o encerramento do V Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Os dados do Portal da Transparência do STF, porém, mostram uma realidade distante da definição apresentada pelo ministro. Em julho, Mendonça recebeu remuneração bruta de R$ 57.957,14. No mesmo mês, o valor líquido foi de R$ 30.473,47.

Durante a palestra, Mendonça afirmou que a remuneração de um ministro do Supremo não representa riqueza.

“Um ministro do Supremo te coloca numa classe média de vida. Uma classe b, que não é rica, mas que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”, declarou.

Na sequência, o ministro afirmou que reconhece estar “muito acima” da realidade da maioria dos brasileiros. Ainda assim, manteve a comparação do salário da magistratura com uma condição financeira que classificou como intermediária.

Mendonça também disse que um magistrado não deve buscar enriquecimento e afirmou que colocar o coração no poder ou no dinheiro leva à frustração.

“Vindo de alguém que chegou no ápice da carreira”, afirmou, ao comentar a própria trajetória no Judiciário.

Os números do Portal da Transparência do STF mostram a dimensão da remuneração do ministro.

Em julho, a remuneração bruta de Mendonça, após a aplicação do teto constitucional e com outras verbas incluídas, chegou a R$ 57.957,14. O valor líquido registrado no mês foi de R$ 30.473,47.

Entre janeiro e julho deste ano, os rendimentos líquidos do ministro variaram de R$ 18.881,92, em abril e maio, a R$ 43.028,21, em janeiro.

No período de sete meses, Mendonça recebeu ao todo R$ 182.029,10 líquidos, uma média mensal de R$ 26.004,16.

A declaração ocorreu durante o encerramento do V Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), evento que reuniu magistrados evangélicos e teve como temas carreira, dinheiro, poder e fé.

Durante a participação, Mendonça relatou que os dois primeiros anos no STF “foram períodos de muita infelicidade” e afirmou que atualmente enxerga o cargo principalmente pelo “ônus e a responsabilidade”, classificando a carga de trabalho como uma “sobrecarga desumana”.

O ministro também falou sobre o desafio de separar a atuação religiosa da função de magistrado após sua indicação ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que o definiu como “terrivelmente evangélico”.

Segundo Mendonça, ele decidiu se afastar temporariamente da pregação religiosa.

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