Enquanto se prepara para receber o título de cidadão de São Jorge dos Ilhéus, o senador Angelo Coronel ostenta um dado curioso em sua prestação de contas: ao longo de seu mandato, ele executou R$ 242,3 milhões em emendas individuais, mas nenhum centavo foi destinado à “Capital Nacional do Cacau”.
O Mapa da Distribuição: Salvador e Base Eleitoral em Foco
De acordo com dados do Portal da Transparência, o senador concentrou seus recursos em áreas específicas da Bahia. A Região Metropolitana de Salvador (RMS) foi a maior beneficiada, abocanhando quase 40% da verba.
Distribuição das emendas por região:
RMS: 38,1% (R$ 90,6 milhões)
Centro-Norte: 20,0% (R$ 47,7 milhões)
Sul Baiano: 12,3%
Extremo Oeste: 0,8% (Apenas)
O “Fenômeno” Conceição da Feira
O contraste mais gritante aparece quando se compara Ilhéus a pequenos municípios da base histórica do clã Coronel. Conceição da Feira, com apenas 20,8 mil habitantes e gerida pelo aliado João de Furão, recebeu sozinha R$ 21,5 milhões.
A conta não fecha: O valor enviado para Conceição da Feira equivale a mais de mil reais por habitante. Sozinha, a pequena cidade recebeu mais recursos de Coronel do que Ilhéus recebeu de todos os parlamentares baianos somados (R$ 20,1 milhões).
Ilhéus: Esquecida pelo novo “Cidadão”
Embora Ilhéus seja a capital nacional do cacau e palco da homenagem ao senador, a cidade sobrevive de emendas de outros 15 parlamentares, como Leur Lomanto Júnior, Marcio Marinho e Antonio Brito. De Angelo Coronel, em sete anos de mandato e 391 pagamentos realizados, o saldo para o município é zero.
A negligência se estende a toda a região cacaueira. Dos 41 municípios da zona, apenas 13 (todos periféricos) receberam recursos, totalizando R$ 11,3 milhões — metade do que foi enviado para a pequena Conceição da Feira. Cidades polo como Itabuna, Itacaré e Canavieiras também foram ignoradas pelo senador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário