quinta-feira, 30 de julho de 2026

Polícia Federal concluiu que o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira recebeu propina em malas de roupas

De acordo com a investigação, a atuação do então dirigente do INSS teria sido decisiva para a liberação de recursos em favor da Conafer que devollvia o favor em propina


A Polícia Federal (PF) aponta que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ex-ministro do Trabalho e Previdência do Governo de Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, teria recebido propinas em espécie para favorecer um esquema de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários. As conclusões constam do relatório final, que apura desvios estimados em mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas.

Segundo a investigação, Oliveira era identificado por codinomes como “Abou Yasser”, “São Paulo” e “O Ministro”. A PF afirma que os pagamentos ilícitos eram entregues em dinheiro vivo por operadores do esquema e combinados por meio de mensagens com uso de expressões cifradas, como “roupas”, “peças” e “encomendas”.
A atuação do então dirigente do INSS teria sido decisiva para a liberação de recursos em favor da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade investigada por realizar descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.
O relatório cita que, em 1º de julho de 2021, logo após assumir a Diretoria de Benefícios do INSS, José Carlos Oliveira concordou com um despacho que liberou R$ 15,3 milhões anteriormente retidos da entidade. Segundo a PF, a liberação ocorreu sem que fossem apresentadas as autorizações de desconto exigidas no acordo de cooperação técnica firmado com o instituto.

As investigações também mencionam mensagens interceptadas entre operadores financeiros nas quais eram tratadas entregas de “500 peças” e de uma “mala de roupa”. Segundo a PF, no mesmo período em que uma dessas conversas ocorreu, um dos investigados realizou saque de R$ 500 mil em espécie, valor que, para os investigadores, seria compatível com a quantia negociada nas mensagens.

Além das entregas em dinheiro, a Polícia Federal afirma ter identificado movimentações financeiras envolvendo empresas e terceiros que, segundo a investigação, eram utilizados para ocultar a origem e o destino dos recursos.

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