terça-feira, 2 de junho de 2026

Trump diz que Brasil favorece o Pix contra empresas americanas e propõe novo tarifaço de 25%

Ação de Trump após reunião com Flávio e Eduardo Bolsonaro busca beneficiar operadoras Visa e Mastercard, que estimam perdas de R$ 12 bilhões com seus cartões de créditos em razão do Pix. Meta, Apple e Google também tiveram prejuízos.

O sistema de pagamentos Pix se tornou um dos principais pontos de atrito na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Em relatório divulgado nesta terça-feira (2) pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o governo de Donald Trump acusa o Banco Central de favorecer o modelo brasileiro de transferências instantâneas e usar regras que colocariam empresas americanas do setor de pagamentos em desvantagem.

A avaliação faz parte da conclusão de uma investigação iniciada em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O procedimento analisou diferentes políticas brasileiras e poderá resultar em medidas de retaliação comercial, incluindo a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, embora a aplicação da sobretaxa ainda dependa de novas etapas de discussão.

Segundo o documento, as autoridades americanas identificaram práticas consideradas "irrazoáveis" em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e desmatamento ilegal. Entre todos os temas analisados, o Pix aparece como um dos exemplos mais citados.

O governo americano sustenta que o Banco Central ocupa simultaneamente a posição de regulador e operador do sistema de pagamentos, situação que, na visão do USTR, gera um "conflito de interesses". O relatório argumenta que essa estrutura permite ao órgão adotar decisões que fortalecem o Pix enquanto concorrentes privados precisam se adequar às regras estabelecidas pelo próprio controlador da plataforma.

Para Washington, as exigências regulatórias brasileiras garantem vantagens exclusivas ao sistema criado pelo Banco Central. O texto cita, entre outros pontos, a obrigatoriedade de adesão ao Pix por determinadas instituições financeiras, o destaque dado à ferramenta nos aplicativos bancários e a política de gratuidade para pessoas físicas.

"Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que concorrentes concedam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites tarifários, e o Brasil discrimina fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico ao conceder essas vantagens exclusivamente ao seu sistema nacional", afirma o relatório.

Os Estados Unidos também alegam que as regras brasileiras acabam impondo custos adicionais a empresas americanas ao obrigá-las a oferecer espaço e condições favoráveis a um sistema concorrente.

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