Paulo Roberto Costa era o presidente do Banco de Brasília em 2021, e liberou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro (PL) comprasse um imóvel de R$ 6 milhões no luxuoso Setor de Mansões de Brasília
| Vorcaro, Paulo Henrique Costa, Flávio Bolsonaro |
A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na manhã desta quinta-feira (16), recolocou sob atenção um episódio envolvendo a concessão de crédito milionário ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A detenção ocorreu no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master, levantando questionamentos sobre decisões tomadas durante a gestão do executivo à frente da instituição financeira pública.O financiamento em questão foi liberado em 2021, quando o BRB aprovou um empréstimo de R$ 3,1 milhões para a compra de uma residência de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 5,9 milhões. O contrato previa pagamento em 360 parcelas, dentro de uma linha de crédito imobiliário. À época, a operação chamou atenção e acabou judicializada após contestação sobre a compatibilidade da renda declarada pelo senador e sua esposa com as exigências do próprio banco.
A ação foi movida no Distrito Federal pela deputada Erika Kokay (PT), que apontou divergências entre os rendimentos do casal, cerca de R$ 36,9 mil mensais, e o valor mínimo estimado pelo simulador do BRB para aprovação do crédito, que seria superior a R$ 46 mil. O caso passou a tramitar na Justiça, gerando debate sobre critérios adotados na análise de risco e concessão do financiamento.
Durante o andamento do processo, o empréstimo foi quitado antecipadamente, em um período de três anos, reduzindo significativamente o prazo inicialmente contratado. Em decisão proferida em julho de 2025, a 1ª Vara Cível de Brasília concluiu que a operação seguiu parâmetros considerados regulares dentro das práticas comerciais da instituição.
Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento e deveriam ser investigados pelo PGR.
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