Um outro ex-deputado da Bahia, foi citado em depoimento da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, como possível beneficiário de parte da propina de R$ 2 milhões.
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| Joneuma Neres e Uldurico Junior tinham um relacionamento amoroso |
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, disse que facilitou a fuga de 16 detentos da unidade, em dezembro de 2024, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB). A revelação foi feita em delação premiada assinada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA).
As investigações do órgão culminaram na prisão do político, na quinta-feira (16), que nega o crime.
Documentos da delação, registrada no dia 9 de fevereiro deste ano, revelam que Joneuma, que ficou presa por mais de um ano, mas deixou o presídio há um mês para cumprir prisão domiciliar, detalhou a participação dela e de outras pessoas no crime.
Durante a delação, Joneuma Neres assumiu que tinha conhecimento da negociação e do plano realizado para a fuga dos internos, e agiu com negligência.
Confirmou que foi nomeada como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis por indicação de Uldurico Júnior, com quem teve um relacionamento amoroso.
Um grande surpresa encontrada nas mensagens analisadas, é a citação de outro ex-deputado bahiano que aparece como figura de influência nas conversas, sendo chamado de “chefe” e atuando, em alguns momentos, como orientador nas decisões de Uldurico e Joneuma. Há registros de que ele teria sugerido cautela à ex-diretora após seu afastamento e até indicado a possibilidade de apoio jurídico, enquanto ela demonstrava preocupação com possíveis desdobramentos judiciais.
Esse mesmo deputado poderia ter recebido 1 milhão, metade do valor pago pelos bandidos à organização criminosa pela fuga.
Apesar das citações, não há, nas conversas obtidas, menções diretas que comprovem que este outro ex-deputado tinha conhecimento de eventual ligação entre Uldurico e a facção criminosa envolvida na fuga. Em mensagens, Uldurico tentou atribuir a responsabilidade a autoridades da Secretaria de Administração Penitenciária, estratégia que acabou sendo repreendida em um áudio, no qual o interlocutor criticou a insistência e o comportamento do aliado. Nomes de outros citados nas delações seguem em sigilo.

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